"Músicas para churrasco, volume 1" é um disco terrível. Bem sei que as minhas expectativas em relação a Seu Jorge são elevadas. Mas nunca pensei que o músico brasileiro pudesse criar algo tão simplista e medíocre. Um disco que nem serve para música de fundo de um churrasco sem picanha.
"A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar, mas eis que chega a roda viva e carrega o destino prá lá..." (Chico Buarque)
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janeiro 21, 2012
março 08, 2011
Os Homens da Luta

Primeiro foram os Deolinda com o seu sucesso musical "Parva que sou". Agora os "Homens da Luta" ganham o festival da canção de forma inesperada e através do voto dos telespectadores, contrariando a tendência dos votos dos júris da RTP (quem são?). E assim, de repente, gera-se à direita (nem tanto) e à esquerda - uma certa esquerda, como diz bem o Filipe Moura na caixa de comentários deste texto - uma revolta incompreensível para com este movimento musical de protesto.
Nos blogues e nas colunas de opinião, muitas vozes "respeitadas" da nossa praça insurgem-se contra as novas músicas de protesto, ora invocando a música dos anos 70 - essa sim, a verdadeira música de protesto! - ora alertando o bom cidadão para não entrar em revoluções, que isto não vai lá com a força da rua nem com cantorias. O ideal, para estas criaturas, é ficar em casa sentadinho, a ver o nosso primeiro de cócoras perante Merkel e os mercados, assistindo placidamente às tricas partidárias de PS, PSD e CDS (os outros são uns irresponsáveis, certo?) que nos levam sistematicamente ao desemprego, à precariedade, enfim, os autores destas músicas e os que as aplaudem são uns chatos, uns anti-democratas - Soares no seu melhor, esse grande vulto democrata, não é? - uns revolucionários, sem ideias na cabeça, que não gostam de políticos nem da política, que querem partir montras de bancos. O melhor mesmo é seguir os conselhos destes homens da opinião "livre" na comunicação social, que eles estão sempre certos, não é? E têm sempre contraditório, não é? Lá isso é (ups!, meti o Sérgio Godinho ao barulho).
ps: onde é que já se viu uns tipos como aqueles ganharem o festival? O melhor seria mandar outra vez o Rui Bandeira, a Anabela ou os Nevada, esses sim verdadeiros representantes do povo português no concurso da eurovisão. E já agora, se não gostam da música dos Homens da Luta, gostam de qual? Havia ali melhor música? Ou as pimbalhadas do costume misturadas com aquele toque techno meio fashion e com versos arrepiantes são melhores para agradar aos senhores da Eurovisão? Alto, esperem lá. Na Eurovisão é o voto do povo que decide. Teremos nova surpresa na Alemanha? Isso, sim, é que seria lindo.
novembro 29, 2010
Sérgio Godinho

Sérgio Godinho (SG) figura nos meus músicos preferidos, está no top-3 pessoal. Foi dele o meu primeiro disco - "Noites Passadas" - e também um dos meus primeiros concertos a sério - "Godinho no Mundo", no Rivoli. Ontem fui ver "Final de rascunho", um concerto na Culturgest que serviu para apresentar algumas músicas novas que farão parte de um novo álbum. A crónica do concerto está aqui, pelo Nuno Pacheco no Público, como sempre muito boa e fiel ao que se passou em palco.
Não me interessa falar agora mais do concerto em si mas sim da capacidade de SG continuar com o mesmo brilhantismo de sempre. Por que razão SG é um dos poucos músicos da sua geração - quer em idade quer em estilo musical - que continua actual e capaz de ser ouvido pelos mais novos? Para mim, é muito simples: desde o álbum Lupa, SG rodeou-se dos melhores músicos, normalmente jovens, para tornar a sua música mais "fresca". Se a genialidade das letras é a impressão digital de SG e isso nunca se apagará, a roupagem que foi dando às músicas, mesmo às mais antigas, fez com que a sua música não ficasse presa aos sons do último quarto do século XX. Para além disso, SG colaborou muito com novas bandas, como os Clã, o que também o fez perceber em que caminho deveria seguir. No meu entender, escolheu o correcto: todas as músicas continuam a ter a marca SG, é quase único o que ele faz com as palavras, e a música que as acompanha tem uma sonoridade mais actual, não está presa aos habituais instrumentos.
O álbum "Lupa" marca, no meu entender, a viragem no rumo da música de Godinho. "Ligação directa", o último de originais, é o disco da maturidade musical de SG na relação com a nova geração de músicos que o rodeia - os "Assessores" são a banda que acompanha SG desde há uns anos para cá. Entre estes dois álbuns, surgiu o grande "Irmão do meio", em que as músicas bem antigas de SG ganharam nova vida com a presença de convidados de luxo - o disco é tudo duetos - e já com arranjos de, por exemplo, Hélder Gonçalves (Clã) ou Nuno Rafael - sempre incrível nos arranjos, mais uma vez provou-o no concerto de ontem - que foram os produtores do "Lupa".
SG foi suficientemente inteligente para continuar a singrar no panorama musical português. E com frequência. O que é muito difícil.
outubro 01, 2010
Manifesto de Fachada

Fachada aparece na minha vida de forma casual. Leio na imprensa que há um tipo que se inspira em Caetano, Zappa, Variações ou Chico e a minha curiosidade aumenta para níveis máximos. Chega-me ao ouvido um disco, homónimo, coisa que não gosto, mas que abre com uma música chamada "Responso para maridos transviados". Paro, escuto e fecho os olhos. Aquilo, começado assim, só podia correr bem. E correu, lindamente.
Entre "cantigas de amigo" e "desamores", Fachada conta-nos histórias fantásticas, musicadas a um nível pouco visto por aí que prendem o ouvinte mais desatento. E, depois, há um pormenor que não pode ser esquecido: a inteligência de Fachada, as referências que nos aparecem numa simples história de amor - "Kit de prestidigitação" é talvez o mais óbvio exemplo disso, com Cesariny, Vinicius ou Zeca, numa música que me lembra sempre "Trocado em miúdos", do Chico, já que se conta em ambas a história de uma separação, mas com Fachada numa versão mais alegre do que o brasileiro.
As mulheres também estão presentes em quase todas as músicas do disco homónimo. Há uma "bela Helena" que é uma flor de massapão, uma outra mulher que anda numa "Velha Europa" deliciosa e, quase a acabar o disco, uma criatura que "só lhe falta ser mulher". No meio, Fachada não sabe se há-de "esperar ou procurar", na música mais dançável do disco - só não digo a melhor porque todas elas falam de amor de forma extraodinária, cada uma acrescentando uma coisa diferente.
Depois do homónimo, Fachada anuncia que "Há festa na moradia", um título, este sim, delicioso. Mais curto (sete músicas), "de Verão", segundo o autor. E se este é um disco estival, o anterior é claramente de inverno, daqueles para ouvir num dia frio, com mantas, compotas, mel, bolachas. Mas vamos ao novo disco: Fachada dá-nos sete músicas dançáveis, festivas, com folclore e as festas de Agosto na mente. A música com o mesmo título do disco é uma espécie de Farpa de Ortigão e Eça, mas na voz de Fachada, e a mulher deste disco é "Joana transmontana", numa história de êxodo rural. Antes de perguntar "quem quer casar com BFachada", faz uma bela homenagem aos "Discos de Sérgio Godinho", uma inflûencia clara na música de Fachada.
E é assim, estou apaixonado pelo Fachada. Por que é que digo isto hoje? Porque amanhã vou matar a paixão: vê-lo ao vivo. É o que falta. Ah, e também me falta ouvir as músicas anteriores ao disco "B Fachada". Ainda não tive coragem. Aquele é tão bom que tive o último para ouvir durante um mês e o medo de me desiludir era tão grande que nem o pus a tocar. Devagarinho, lá fui escutando, escutando, e amanhã, na Sociedade de Geografia, espero que Fachada dê o golpe final.
ps: o concerto de amanhã tem dois bónus: Lula Pena e JP Simões. A primeira, é uma delícia. O segundo, um outro amor meu - já o vi ao vivo - que fez o melhor álbum português da década: "1970".
março 22, 2010
Paolo Conte

Quando cheguei a Firenze, uma das primeiras coisas que reparei foi nos vários cartazes a anunciar o concerto de Paolo Conte. Fui a correr comprar bilhete. Não sou fã nem conhecedor absoluto do seu reportório, mas "Blue Tangos", "Via con me", "Max" ou "Azurro" são músicas que ouvi várias vezes e de que gosto muito. Amanhã lá estarei no Teatro Maggio Fiorentino.
fevereiro 21, 2010
janeiro 10, 2010
Discos da década
dezembro 22, 2009
Eu
Desafiado pelo Filipe Moura cá estão as minhas cinco frases. Optei por uma onda musical, tal como o Filipe, já que ele "adivinhou" que a minha resposta seria parecida. Uma das frases tinha que ser muito parecida, não podia ser de outra forma. E vão conferir as dele que são maravilhosas. Basta meter Caetano, Lenine ou Noel Rosa.
Eu quero a prenda imensa dos carinhos teus.
Eu sonho fazer um dueto com o Chico Buarque.
(passo a corrente ao Pedro Barbosa, ao André Matos e ao Dinis; relembro: cinco frases começadas por eu já, eu quero, eu nunca, eu sei e eu sonho)
novembro 09, 2009
Caro Gilberto Gil

O teu concerto ontem foi, como vocês brasileiros dizem, "muito bacana", "bem legal", "uma curtição". Não foi "nota 10" mas foi quase. Tu, meu caro Gil, tinhas que ter dado o concerto perfeito. Tu bem que tentaste, eu sei, não tens culpa nenhuma. Mas quem me manda a mim, antes de te ir ver tocar violão tão extraordinariamente bem, ver aqueles badamecos que se dizem jogadores do Porto, treinados por um velho teimoso, jogar à bola?
Pois, Gil, durante o concerto não me conseguiste fazer esquecer por completo aquele pesadelo madeirense. Volto a insistir, a culpa não foi tua. Se tivesses tocado o "Aquele Abraço" ou "Realce"...
ps: o concerto foi muito bom. Não foi tão bom como o de domingo passado mas teve bons momentos. De 0 a 10, merece um 8.
novembro 06, 2009
Domingo na Casa

Depois do espectáculo formidável de domingo passado - o DVD será um óptimo investimento para quem não foi e também para quem foi ver Fausto, Zé Mário e Godinho - é já no próximo Domingo que irei assistir a outro trio: Gilberto Gil, Jacques Morelenbaum e Bem Gil. Não é no parque, mas sim na Casa da Música, cenário bastante propício para um concerto intimista como promete ser.
outubro 30, 2009
Álbuns
Nesta lista do "Blitz" há álbuns que me dizem muito: "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" do Zé Mário, "Um Homem na Cidade" do Carlos do Carmo, "Cantigas de Maio" do Zeca, "Ar de Rock" do Rui Veloso, "Por este rio acima" do Fausto, "Viagens" do Abrunhosa, "Humanos" dos Humanos mas também do Variações e, por último, "Cinema" do Rodigo Leão são dos melhores discos que eu tenho e neles estão as melhores músicas portuguesas. Faltam alguns, claro. Nestas coisas de listas há sempre injustiçados. Para mim falta lá o Godinho mas eu percebo a não inclusão dele. Não há um grande disco de originais do Sérgio Godinho. "Pano Crú" é um muito bom álbum mas não chega ao nível de outros da lista. Os melhores do Sérgio são os gravados ao vivo em que reúne as suas melhores composições, e o "Irmão do Meio" é o melhor álbum desta década da música portuguesa, só que não é de originais.
Talvez os Belle Chase Hotel tivessem lugar na lista dos anos 90, em vez de um dos álbuns dos Ornatos Violeta. "Independança" não é o melhor do GNR, prefiro muito mais "Popless". Mas, no global, acho que é uma lista justa.
outubro 26, 2009
outubro 02, 2009
Amália Hoje

Por alguma razão as rádio continuam a tocar a "Gaivota", muitos meses depois. Deve ser coisa rara um disco com tanta popularidade - o da foto - que, muito tempo após o seu lançamento - continua a insistir no seu primeiro single. Eu no mês de Setembro tive de "aturar" diariamente a Rádio Comercial por imperativos laborais - sempre sonhei dizer isto - e a "Gaivota" passava invariavelmente duas a três vezes por dia. E, em breves zappings, continuo a não ouvir mais nenhum novo single. Porquê? É um disco dupla platina, ou seja, tem vendido muito bem.
E vende bem devido à "Gaivota", não tenho dúvidas. Apesar de preferir a da Amália, a nova versão é estupenda e grandiosa. Realmente, só por aquilo eu ia a correr comprar o resto. Mas o resto é horroroso. Não sei como vão reagir as pessoas que já esgotaram Coliseus e outros palcos nos próximos dias mas, se estão à espera de ouvir músicas do mesmo género da "Gaivota", enganem-se. O resto do disco é um conjunto de músicas fantásticas transformadas em canções sussurradas com alguns instrumentos alternativos à mistura. Se era aquilo que queriam fazer mais valia não fazerem a "Gaivota", até destoa de tão bom. Um disco mau, muito mau. Daí percebe-se não haver mais nenhum single para além da "Gaivota". O resto não encheria nenhuma sala com mais de 250 pessoas.
outubro 01, 2009
setembro 10, 2009
julho 26, 2009
Zeppelin
"Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni"
Chico Buarque, "Geni e o Zeppelin".
julho 21, 2009
Jorge Palma e a música portuguesa

Faz amanhã uma semana que assisti a um grande concerto. É verdade que não li jornais no dia a seguir mas pelo que andei a pesquisar o destaque parece ter sido nulo. Eu sei que não era Duffy, Jason Mraz, Metallica, Keane ou outros quaisquer agrupamentos paneleirosos, mas o que eu vi merecia ter tido muito, muito destaque.
O que eu vi foi o seguinte: um pedaço grande do melhor do melhor da música portuguesa dos últimos anos. O cenário era a Torre de Belém. A noite era, ainda, de Primavera. O enquadramento do concerto era o encerramento das "Festas de Lisboa", várias actividades culturais que decorreram no último mês. Festejava-se a música portuguesa. O protagonista era Jorge Palma. Os actores secundários: Sérgio Godinho, Cristina Branco, JP Simões, Rui Reininho, Marisa, Fausto, Manuel Paulo, Laurent Filipe, Adolfo Luxúria Canibal e Gaiteiros de Lisboa. Sim, é mesmo verdade. Houve um concerto, gratuito, que juntou alguns dos maiores nomes da música portuguesa. Foi, para mim, um momento grandioso. Eu sei que sou suspeito: confesso que tenho músicas no meu Ipod de todos estes artistas - todos! Por isso é fácil imaginar a minha emoção ao assistir a tão grande momento. Nem eu, à partida, estava à espera que resultasse tão bem. O cartaz apenas dizia Jorge Palma convida amigos (nomeando os músicos). Na altura pensei "deve ser bom". Não foi bom, foi óptimo.
O protagonista, Jorge Palma, é um símbolo da nossa música. Nem é o que eu mais gosto dentro daqueles que referi mas é o mais consensual, talvez, para o tipo de espectáculo que foi. Claro que a maior parte das pessoas gostam mais daqueles momentos em que ele não sabe o que diz, que fala para dentro, que se ri por tudo e por nada. Isso a mim não me interessa. Interessa-me, sim, a música. E nisso ele é imbatível. O alinhamento do concerto foi simples. Quando vinham ao palco os convidados, que apenas interpretavam uma música, ouvira-se os grandes sucessos da carreira de Palma, como "Frágil", "Estrela do Mar", "Dá-me Lume" ou "Jeremias, o Fora da Lei". Quando esteve sozinho, mais a sua banda os demitidos e o seu filho Vicente, Jorge Palma misturou um ou outro sucesso com músicas do último álbum, "Voo Nocturno" que foi bastante desprezado no seu todo pela imprensa já que "Encosta-te a mim" foi um êxito demasiado grande. Faltou "Escuridão", a minha favorita de Palma, do álbum "Norte". Mas não se pode ter tudo e, naquela noite, eu não me podia queixar.
Destaque para dois grandes momentos. O primeiro com Rui Reininho a cantar "Frágil": uma interpretação fabulosa como só Reininho sabe dar. Outro momento foi o dueto com Fauto da música "Dá-me Lume". Eu estava intrigado que música do reportório de Jorge Palma cantaria este convidado. A eleita fez todo o sentido já que poderia ter sido escrita pelo próprio Fausto.
Não sei como se divulgou tão pouco um concerto destes. Mas isso também revela o caminho que a música popular portuguesa - não confundir com a denominada "pimba" - está a tomar. É olhar para os cartazes dos grandes festivais de Verão e ver quantas são as bandas que cantam em português que vão lá actuar.
Só sei que adorei e, tal como disse Jorge Palma, "agradecer à Câmara por proporcionar uma noite tão agradável". Acrescento eu: um mês bastante agradável.
está aqui uma boa galeria de fotos do concerto enquanto não há vídeos decentes no YouTube.
junho 29, 2009
Quarta-Feira

O cenário era a magnífica Sala Suggia da Casa da Música. Ontem, estes quatro músicos da foto subiram ao palco para um concerto de jazz misturado com a sonoridade da bossa nova e MPB. Chico Pinheiro, um magnífico guitarrista e compositor, e Brad Mehldau, um pianista também ele muito bom, encarregaram-se da música. A voz estava a cargo de Luciana Alves e de uma holandesa chamada Fleurine, ao que parece bastante reputada nos meios do jazz nova iorquino.
O concerto começou de uma forma maravilhosa, uma versão instrumental de "Samba e Amor" do Chico Buarque. Prometia muito, pensei eu. Depois começou o descalabro e a confusão. Apesar de ter havido momentos brilhantes, o concerto de uma hora e meia foi bastante difícil de seguir porque nem os próprios intérpretes sabiam qual o alinhamento das músicas. Foram bastantes as vezes que Chico Pinheiro perdeu dois a três minutos a afinar a sua guitarra. Fleurine e Luciana só no fim cantaram duas músicas ao mesmo tempo, fazendo com que tivessem sempre a entrar e a sair, às vezes nem elas sabiam quando era a vez delas. Brad Mehldau uma vez esqueceu-se de entrar em palco e os outros músicos perderam mais um pouco tempo a decidir o que iriam tocar.
Chegados ao fim do espectáculo, o público foi, mesmo assim, generoso e pediu que voltassem ao palco. Eles voltaram, duas vezes, mas aqui foi a gota d'água, pelo menos para mim. Visivelmente incomodados por tanta trapalhada, os músicos nem sabiam o que iam tocar no encore, combinando a música já em palco. E deu barraca. A protagonista: Fleurine, a tal holandesa que deve ter muito currículo mas que canta banalmente.
Depois de combinada a música final, Fleurine pergunta "Pode ser "Tristeza não tem fim"?", numa alusão ao verso inicial da música "A Felicidade" do Tom e do Vinicius. E se já é mau ela própria nem saber o nome da música, pior foi quando errou a letra. A holandesa cantou "Pra tudo se acabar na terça-feira" quando todo o mundo sabe que tudo acaba é na quarta-feira, de cinzas. Logo a seguir, Luciana confundiu a letra toda e trocou os versos daquela fantástica música.
É o que dá convidarem cantoras reputadas que, lá por cantarem em português (sofrível) e até fazerem discos sobre a MPB, não quer dizer que encarnem bem a música popular brasileira. Saí da Casa da Música a tentar lembrar-me do início do concerto. O resto foi pobrezinho.
junho 26, 2009
Rei da Pop
Não deixa de ser curioso que, na altura em que morre Jackson, surge um novo preto rei da Pop a nível mundial: Obama.
maio 25, 2009
Músicas e candidatos
Se tivesse que escolher o meu voto nas próximas europeias com base nas escolhas musicais (ouvidas aqui) dos cabeças-de-lista estava tramado. E não é por serem más. É mesmo por gostar de quase todas. Só as escolhas de Nuno Melo e de Quartim Graça do PPM é que eu não suporto. De resto, os candidatos revelaram ter bom gosto.
Paulo Rangel é, neste aspecto, o meu preferido. Este facto deixou-me chateado mas tenho que admitir que não esperava que um fã de Heavy Metal fosse escolher uma das melhores músicas portuguesas de sempre, numa versão extraordinária. "Mudemos de Assunto", música e letra de Sérgio Godinho. A versão que Rangel escolheu foi a do "Irmão do Meio", um dos melhores álbuns portugueses, num dueto com Jorge Palma. Este blogue era para se chamar precisamente "Mudemos de Assunto" mas já há um com este nome por isso optei pelo actual. Rangel subiu pontos na minha consideração. Mas estejam descansados, não tem o meu voto.
Das outras escolhas destaco Laurinda Alves com Reininho a cantar uma versão dançante de "Quero que tudo vá para o inferno" ou mesmo Carlos Gomes do MMS, também com Reininho a cantar, mas desta vez uma espectacular música de Rodrigo Leão, "Pásion". Sou sensível quando invocam Reininho, pronto.
De resto, nada de muito original. Vital a invocar Serge Reggiani, Ilda a lembrar o também gaiense Adriano Correio de Oliveira, Portas foi buscar uma música tradicional de Trás-os-Montes interpretada pelos Gaiteiros de Lisboa, Nuno Melo diz que gosta de um tal Maxwell que eu desconheço e pelo que ouvi não tennho muito interesse em conhecer. Já o candidato do PPM também invocou Sérgio Godinho, "O grande capital". Estava à espera de um fado do Mico, do Nuno ou de outro qualquer Câmara Pereira mas, no entanto, saiu-se bem.
Aqui fica a lista completa das músicas escolhidas pelos candidatos por ordem preferencial:*
Mudemos de Assunto, Sérgio Godinho e Jorge Palma - escolha de Paulo Rangel;
Pásion, Rui Reininho e Rodrigo Leão - escolha de Carlos Gomes;
E que tudo mais vá para o inferno, GNR - escolha de Laurinda Alves;
Ma liberté, Serge Reggiani - escolha de Vital Moreira;
Lágrima de Preta, Adriano Correia de Oliveira - escolha de Ilda Figueiredo;
O Grande Capital, Sérgio Godinho - escolha de Frederico Duarte Carvalho;
Nós daqui e vós dali, Gaiteiros de Lisboa - escolha de Miguel Portas;
It's a man's world, James Brown - escolha de Quartim Graça;
Maxwell - escolha de Nuno Melo (não sei o nome da música).
*infelizmente não consegui decorar as escolhas do PH, do POUS, do PCTP-MRRP ou do PNR.
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