julho 26, 2011

valter hugo mãe


Como não sou nem tenho pretensão em ser crítico literário, deixo aqui apenas uma frase sobre “A máquina de fazer espanhóis”: o livro de valter hugo mãe é deliciosamente comovente e eficazmente perturbador, resultando numa obra magnífica.

julho 23, 2011

Tour 2011 - as figuras


A edição deste ano da Volta à França teve três momentos muito distintos. O primeiro corresponde às duas primeiras etapas onde Contador e outros importantes corredores perderam muito tempo em quedas e etapas como o contra-relógio por equipas. O segundo momento dá-se durante quase toda a edição, contemplando várias desistências importantes por lesão - Wiggins, Kloden, Vinokourov, Van den Broeck - e a subida aos Pirinéus onde ninguém fez diferenças. O terceiro momento são as três últimas etapas, duas de alta montanha nos Alpes e o contra-relógio final. Este último momento compensou o resto que estava a fazer deste Tour uma edição bastante aborrecida.

Cadel Evans: aos 34 anos, finalmente a grande vitória da sua carreira, depois de ter sido campeão do mundo em 2009. Após de quatro presenças no top-10 e dois segundos lugares, o lugar mais alto do pódio na prova francesa pertence ao azarado australiano que vence pela primeira vez uma corrida de três semanas. É uma vitória merecida para um ciclista completíssimo. Andou excepcionalmente bem na montanha, aguentando e gerindo os ataques dos adversários de forma heróica, apesar de não ter uma grande equipa ao seu lado. E no contra-relógio final, onde tinha de ganhar quase um minuto a Andy Schleck, comportou-se de forma fantástica, percebendo-se que aqueles eram os 42km mais importantes da sua vida. O eterno candidato merecia uma prova assim.

Andy Schleck: depois de três segundos lugares consecutivos, mais um para somar ao currículo. E desta vez já nem havia camisola branca para conquistar. Estaremos perante um dos grandes fenómenos do ciclismo? Quando conseguirá ganhar Andy Schleck? Uma coisa parece óbvia: tem que melhorar no contra-relógio. Mas não deixa de ser frustrante para ele ter criado uma equipa de raiz, ter levado com ele grandes ciclistas, ter-se preparado exclusivamente para o Tour e, mesmo com as dificuldades de Contador, não conseguir vencer a prova. Está a tornar-se um caso sério este enguiço de Schleck que, este ano, até teve o seu irmão sempre ao lado para o ajudar.

Contador: olha-se para a classificação final e pode-se facilmente pensar que Contador é o grande derrotado do Tour. Sem dúvida. Porém, se se tiver em conta a bela Volta a Itália que fez - e que foi indiscutivelmente mais dura e mais espectacular que o Tour 2011 - seria quase de loucos pensar numa vitória de Contador. A juntar a isto tudo, o espanhol perdeu muito tempo na primeira etapa devido a uma queda alheia, caiu pelo menos três vezes no Tour - sem consequências de maior, é certo, mas são coisas que criam mazelas - e não teve uma equipa à altura, já que apenas por alguns momentos se viu a Saxo Bank a ajudar o espanhol. Posto isto, a prestação de Contador foi honrosa apesar de ter sido derrotado. A etapa que fez do Alpe d'Huez serviu para limpar a sua imagem. Porque uma coisa é certa: Contador é o melhor ciclista da actualidade e um dos melhores de sempre. O Giro de Itália comprovou-o bem. Pena que alguns só olhem para o Tour.

Voeckler: a grande surpresa deste ano. Numa fuga deixaram-no ir à vontade e ganhar tempo suficiente para se manter na amarela quase até Paris. A forma como segurou a liderança foi heróica e, com a ajuda de uma grande promessa chamada Pierre Roland, superou-se e surpreendeu o mundo do ciclismo. E não fosse uma péssima estratégia na etapa do Alpe d'Huez e talvez Voeckler pudesse ter terminado no pódio, um sonho para os franceses. Que ficam de olho bem aberto em Rolland para futuras provas.

Samuel Sanchéz: o simpático e talentoso ciclista ganhou a camisola da montanha fruto do espectáculo que deu em ataques vários. Ele que também perdeu muito tempo no início da prova, foi recompensado pelo seu esforço.

Rui Costa: o ano passado foi Sérgio Paulinho. Este ano Rui Costa. O ciclismo português voltou a deixar a sua marca no Tour. E, para além destes dois, há outros valores portugueses a despontar por aí.


julho 21, 2011

As eleições no PS


A corrida à sucessão de Sócrates não poderia ser mais enfadonha. A dois candidatos medianos junta-se a circunstância de ser uma péssima altura para se debater o que quer que seja dentro do PS: Sócrates, para além de ter secado tudo à sua volta, comprometeu-se com o acordo da troika e deixou pouquíssimo espaço de manobra a Assis e Seguro. Para além de clichés básicos de campanhas eleitorais internas, estes dois militantes têm acrescentado muito pouco ao debate e é difícil distinguir o que os separa.

António José Seguro é o eterno candidato à liderança do PS. Passou os últimos anos a abordar cautelosamente todos os assuntos e, enquanto deputado, teve intervenções cirúrgicas sobre alguns temas delicados para o PS. Mas todas as suas declarações foram pensadas e repensadas, ditas sem alarme, de forma calculista e hipócrita. Nunca quis romper demasiado com Sócrates mas conseguiu sempre deixar no ar, de forma cínica e oportunista, as suas (pequenas) divergências. Não se conhecem dele grandes ideias para o país, nem capacidade para mobilizar um pequeno carreiro de formigas, quanto mais o partido e os eleitores de esquerda. E, por falar em esquerda, dificilmente Seguro tem o perfil e as condições para entendimentos com outros partidos.

Por outro lado, Francisco Assis também não representa uma ruptura muito acentuada com os últimos anos do Partido Socialista. O facto de ter apoiado de forma veemente José Sócrates não é um bom cartão de visita e o seu estilo de fazer política - mais vivo, mais verdadeiro, mais empolgado - parece não ser uma qualidade quer no partido, quer no país. As pessoas gostam mais de gente certinha, que falem de forma ponderada mas sem conteúdo. E Assis, por vezes, é explosivo. E explosiva foi a sua proposta de abrir as eleições no partido a todos os simpatizantes do PS. Foi uma proposta interessante e louvável que nos garante que, apesar de trazer consigo alguns vícios socratianos (Lello, Santos Silva, etc), Francisco Assis poderia desempenhar o cargo de líder da oposição de uma forma mais dura e corajosa. E, também, é o candidato que mais condições tem para estabelecer pontes à esquerda.

Em suma, o que distingue os dois candidatos no vazio de ideias que ambos representam é o estilo de fazer política e como encaram o sistema político e as suas interacções.

julho 12, 2011

Durão - vergonha nacional



No meio do entusiasmo patriótico do Euro 2004, Durão Barroso negociou a sua ida para Bruxelas. O povo, quase de férias de Verão e completamente focado na bola, deixou que Sampaio não fizesse nada, que Santana chegasse ao governo e que entrássemos num dos períodos políticos mais cómicos – para não dizer trágicos – dos últimos anos.


Voltando a Barroso, a sua ida para a presidência da Comissão Europeia chegou a ser argumentada positiva para o interesse nacional – “ ter um português no topo de Bruxelas é bom porque pode cuidar dos nossos interesses”. O pensamento pequenino e subserviente em relação à Europa instalou-se e os partidos do arco da governação, PS, PSD e CDS, sempre acarinharam, de diferentes formas, Durão Barroso.


Passados sete anos, o cherne engordou. Está balofo, anafado, quase rebenta pelas costuras. O stress de ser um cão de fila de Sarkozy, Merkel ou Trichet deve ser enorme. Passados sete anos, e com a Europa a afundar-se, Barroso fica indubitavelmente ligado à crise da União. Um político fraco, sem ideias nem ideais, Durão é uma vergonha nacional. Até porque, enquanto o país se afundou devido à ganância dos mercados e passividade europeia, Durão e sus muchachos da Comissão não mexerem uma palha para inverter a situação ou, sequer, para chamar a atenção para tal.


Ontem, deu uma entrevista na RTP1. Não vi. Mas também não precisava para saber que apenas debitou banalidades. O homem forte de uma União em plena crise deveria ter o bom senso e a lucidez de se demitir e reconhecer os gravíssimos erros que cometeu. Deveria ter a coragem de, perante o povo português, admitir que fracassou e nunca mais voltar ao combate político. Mas não. Como estamos perante um político medíocre, ele lá se vai gabando do seu trabalho como boneco de plástico de quem, de facto, manda na União. Aliás, foi essa a condição para a sua nomeação. Falhadas algumas tentativas, teve que se arranjar um badameco qualquer que cumprisse o papel de porta-voz franco-alemão e que não incomodasse ninguém. Enquanto os cidadãos não tiverem um palavra democrática no papel da União, o resultado é este: Durão Barroso.


Depois de, milagre dos milagres, quase todos reconhecerem que se vive um problema europeu, pode ser que daqui a uns meses haja algum consenso: Durão Barroso ajudou a destruir a Europa.

julho 07, 2011

RTP - Volta a França

A RTP, como é tradição, compra todos os anos os direitos de transmissão da Volta à França. Não sei quanto custa à estação mas eu considero este evento digno de serviço público - o ciclismo é um desporto com muitos simpatizantes em Portugal, o Tour é a prova rainha e é em Julho, altura em que muitos portugueses estão de férias e podem passar tarde agradáveis a ver a competição.


Mas o que é que a RTP faz de há uns cinco anos para cá? Passa todas as etapas na RTPN, ou seja, em sinal fechado. Tendo em conta que o Eurosport também faz o mesmo - e com grande qualidade - eu pergunto qual é a necessidade de adquirir os direitos desta competição se depois é para passar as mesmas imagens de um canal concorrente. Porque quem tem acesso à RTPN também tem ao Eurosport. Se a RTP se dignasse a passar a competição em sinal aberto, eu compreendia a decisão da tranmissão da Volta a França. Mas pô-la em sinal fechado e em concorrência com outro canal é absurdo e espelha bem a pouca lógica que reina por aquelas bandas.

Mercados

Durante meses e meses, com Portugal mergulhado numa grave crise económica e social, a direita política sempre foi tentando convencer os portugueses que a culpa era de Sócrates e dos seus tiques autoritários que lhe retiravam a credibilidade necessária para governar. E sempre defendendo os mercados e as suas virtudes - não tinham culpa nenhuma no que estava a acontecer.
Ferreira Leite disse uma vez no Parlamento que as mesmas medidas do governo Sócrates tomadas por outro governo com credibilidade seriam bem vistas pelos mercados, e que quem paga é quem manda.
Passos Coelho prometia mais austeridade porque era isso o que os mercados queriam. E Cavaco Silva disse em campanha eleitoral que não se devia criticar os mercados e raramente referiu que a crise portuguesa tinha origem numa crise mundial.

Pois bem, bastou um corte de rating da Moody's para a direita, actualmente no poder, se lançar contra os mercados e descobrir que afinal a crise é global. Um murro no estômago, para Passos Coelho. Incompreensível, disse Cavaco, pedindo uma resposta europeia.

Portanto, a inocência dos mercados anteriormente louvada foi rapidamente esquecida. Agora querem atirar areia para os olhos de todos nós, fingindo uma incredulidade total. Não tarda estão a defender a reestruturação da dívida. Esquecendo que houve quem, durante a campanha eleitoral, dissesse a verdade sobre a crise económica.

julho 01, 2011

Um começo

O início do mandato de Passos Coelho começou torto. Primeiro, prometeu um governo com os melhores dos melhores e, olhando para o elenco ministerial, é difícil encontrar gente com capacidade técnica e política para exercer o cargo. Depois, prometeu reduzir o número de secretários de Estado e, em vez de 25, foram nomeados 35. Pelo meio ainda viajou em económica apesar de o Governo não pagar qualquer viagem na TAP.


Ontem, na apresentação do programa do governo na Assembleia, Passos Coelho revelou que, contrariando o que disse na campanha e o que estava no programa eleitoral, ia haver um corte de 50% no subsídio de Natal. Ou seja, quem andou a reclamar do Estado gordo e despesista toma, como primeira medida, um assalto aos contribuintes. Quem andou a prometer cortar na despesa, começa logo por aumentar a receita, recorrendo aos trabalhadores.


E só temos 15 dias de Governo.

junho 28, 2011

Secretários de Estado

Para quem prometeu apenas 25 secretários de Estado, o número que hoje foi empossado - 35 - está bem acima do avançado na campanha eleitoral. O que só pode querer dizer duas coisas: ou Passos Coelho fez uma promessa sem pensar ou então, durante a última semana, chegou à conclusão que seria impossível ter um governo tão reduzido de ministros e de secretários de estado já que muitas competências poderiam ficar sem tutela directa.

Uma explicação é urgente até porque a lei orgânica do governo não é um aspecto lateral da actuação do governo.

junho 24, 2011

A privatização da RTP


Com a chegada do poder do governo de Passos Coelho, um dos temas fortes que se vai colocar em cima da mesa é a privatização da RTP. O PSD propõe a extinção de um dos canais abertos e do canal de notícias. Dito desta forma, sem conhecer a proposta e outras consequências desta via privatizante do serviço público de televisão, não fico nada escandalizado com a extinção referida anteriormente.

E as razões são simples. A RTP1 já é, praticamente, um canal privatizado. Ou seja, segue a lógica das audiências e, em três quartos da sua programação, é uma cópia da SIC e da TVI, com programas de baixo nível, implicando custos tremendos. A própria informação do canal não anda muito longe da que é feita nos canais da concorrência.

E a RTP2, apesar da sua diversidade no período da noite, durante o dia é um canal infantil sem utilidade nenhuma - e sem audiências das crianças portuguesas.

Quanto à RTPN, não justifica a sua presença no cabo já que a concorrência assegura perfeitamente a função de canal noticioso. Apesar dos bons conteúdos que poderiam figurar perfeitamente na grelha do canal aberto.

Então, qual seria a solução?

Em primeiro lugar, é preciso repensar todo o serviço público de televisão. Independentemente da sua privatização ou não, da extinção de um ou dois canais, o que interessa é perceber o que é serviço público e de que forma é que se poderá inverter esta tendência de tele-lixo que se tornou a nossa televisão - ainda ontem vi a anunciar na RTP1 um novo concurso musical para Setembro, porque a dúzia de concursos idênticos que a estação produziu na última década, a juntar à outra dúzia que habitualmente a concorrência emite não chegam. Enfim...

Para que tal aconteça é necessário ter alguém que pense o serviço público de televisão em Portugal de forma responsável. O facto de não termos críticos de televisão que tenham influência na opinião pública é determinante para que o nosso serviço público de televisão se tenha degradado tanto. Eduardo Cintra Torres e Jorge Mourinha são óptimas pessoas mas chegam a quem?

Se em teoria penso que há espaço e condições económicas para que o serviço público de televisão tenha duas estações em canal aberto - ter um canal de notícias na realidade portuguesa não é, de todo, indispensável - na prática, se for para continuar com o actual situação que temos acesso, a privatização de um canal é uma via necessária. Porque a RTP1, tirando honrosas excepções, não garante os mínimos dos mínimos de um serviço público de televisão com qualidade.

Termino apenas com um exemplo prático. Por motivos profissionais, tive a possibilidade de acompanhar a campanha para as legislativas no distrito de Setúbal e, portanto, conviver de perto com a cobertura noticiosa que se fez de arruadas, comícios, jantares, etc. E enquanto SIC e TVI andavam sempre com dois repórteres por partido, mais os técnicos de som e imagem necessários para emissões em directo, a RTP, vá lá saber-se porquê, chegava a ter quatro jornalistas - eu volto a repetir: q-u-a-t-r-o! - para cobrir um simples almoço ou um pequeno comício. Caso prático: comício do PSD em Almada com Pedro Benavides, João Adelino Faria, Hélder Silva e Sandra Sá Couto. A estes nomes juntem os vários repórteres de imagem, os técnicos de som no exterior e as cerca de 5 viaturas à porta do evento. E isto durante duas semanas, para não produzir notícias mas sim soundbites do que os candidatos iam dizendo.

Eu pergunto: porquê e para quê? O serviço público de televisão em Portugal tem de levar uma grande volta. Até porque são estes casos que citei e outros exemplos de péssima gestão, aliado à inutilidade do canal em si, que fazem com que ultra-liberais como Passos Coelho e sus muchachos, vejam na RTP algo para extinguir e não para repensar.

O episódio (pouco) Nobre

O dia da votação do nome de Fernando Nobre para presidente da Assembleia da República vai ficar marcado na história como um dos mais patéticos de sempre da política portuguesa porque foi o culminar de todo um processo mal conduzido por parte de Nobre e, sobretudo, Passos Coelho.

Tudo começou num convite que Passos Coelho fez mas que sabia que não poderia cumprir caso não tivesse maioria absoluta e na aceitação do mesmo por Fernando Nobre quando dois meses antes jurava a pés juntos que não ia aceitar nenhum cargo político-partidário. O imbróglio foi sério e Nobre teve que abdicar do seu pensamento – alguém ouviu alguma declaração de Nobre durante a pré-campanha e a campanha eleitoral?

Passos Coelho arriscou demasiado ao propor alguém que não é ele que elege – mas sim os deputados por voto secreto – mas mais grave foi propor um nome que, meses antes numa campanha presidencial, declarou todo o seu ódio à classe política, com os deputados em particular destaque. Lembram-se num debate com Francisco Lopes em que Nobre acusou o seu adversário de ser também ele culpado da crise porque era deputado?!

O Parlamento chumbou, e bem, o nome de Nobre. Aquela instituição jamais poderá ser presidida por um cidadão que é um populista bacoco e demagogo, que usa o discurso anti-políticos como bomba de oxigénio mas que se aproveita da classe política para passear na praça pública o seu nome e o seu trabalho. E não se trata aqui de eleger ou não independentes, como argumentou Passos Coelho. A independência de Fernando Nobre acaba onde começa: no seu umbigo. Para tal basta ter visto a forma como ainda quis ir a uma segunda volta, não pensando no vexame que estavam a sofrer o líder do partido que o acolheu e a bancada parlamentar onde se senta.

junho 21, 2011

Villas-Boas


Há pouco mais de um ano, a 2 de Junho de 2010, festejei como um miúdo a tua contratação. As tuas raízes portistas e amor ao clube, juntando às tuas competências, faziam-me crer que eras a melhor opção para substituir o casmurro do Jesualdo e devolver a glória ao clube.
Agora que partes, de forma abrupta e inesperada, numa traição que será difícil esquecer, tenho que te agradecer o ano perfeito que ajudaste a criar. Foi, sem dúvida, a melhor época enquanto adepto portista - talvez a melhor de sempre do clube - e nem fazes ideia o quanto eu fiquei feliz por ti ao ver-te festejar cada vitória frente ao Benfica, aquele salto em Dublin, enfim, todas as vitórias e títulos fantásticos. Fiquei feliz por ti porque pensava que estavas tão feliz como eu. E talvez estivesses, apesar de teres cedido tão facilmente aos milhões russos.
Vou torcer sempre por ti, acredita. Porque sei que vais torcer sempre pelo Porto.

junho 19, 2011

O novo governo

Passos Coelho criou imensas expectativas quanto à formação do seu governo, até antes da queda de Sócrates. Sempre o ouvimos falar "nos melhores dos melhores", num governo capaz de abarcar grandes figuras e correntes da sociedade, não se ficando preso à tribo partidária. Mesmo durante as eleições, esta ideia foi reforçada e esperava-se um executivo com grande peso. O governo apresentado por Passos Coelho é um governo mediano, com gente competente mas sem fazer o tal corte com o partido.

Custa muito ver Miguel Relvas nos Assuntos Parlamentares. Seria quase como ver José Lello ministro. Dá medo e temo que a coordenação parlamentar entre governo e restantes partidos venha a ser muito prejudicada por causa de Relvas. Para este cargo, há no novo governo um homem muito mais capaz, quer por experiência quer pelo próprio perfil: Miguel Macedo, ex-líder parlamentar contra Sócrates, vai tutelar a Administração Interna, um ministério pesado e que terá já o primeiro teste no Verão - quente ou não, eis a questão.

Ainda no quadro do PSD, as escolhas de Aguiar-Branco e Paula Teixeira da Cruz deixam completamente a desejar. O primeiro porque não tem nenhuma relação com a Defesa e deixa a entender que teria forçosamente que estar no executivo. Já a nova ministra da Justiça, apesar de ser da área, tem uma tarefa muito complicada e a inexperiência que detém em cargos políticos é gritante.

Antes de falar dos independentes, vejamos os ministros do CDS-PP. A presença de Portas nos Negócios Estrangeiros é assustadora mas é um cargo que o líder do PP desejava: sem grande desgaste político nem grandes medidas para executar. O problema é que todos nós sabemos o resultado da acção governativa de Paulo Portas enquanto ministro da Defesa. Os restantes ministérios que couberam em sorte ao CDS foram a Agricultura - e ambiente, e mar, e ordenamento do território - e Assuntos Sociais. Respectivamente para Assunção Cristas e Pedro Mota Soares. E é aqui que está o problema. Se as pastas em si não estranham terem sido atribuídas a Paulo Portas, as pessoas que a ocupam surpreendem muito. Nunca ouvimos uma ideia de Cristas sobre Agricultura e se o facto de Mota Soares ser ministro é já de si muito surpreendente, tocar-lhe os Assuntos Sociais é mesmo para se ficar perplexo.

Quanto aos independentes, a pasta mais importante foi entregue a um perfeito desconhecido que, parece, se move muito bem em Bruxelas. Apesar de ter sido este o critério, é público que Vitor Gaspar é um terceira ou quarta escolha e a incógnita é saber qual o perfil político que tem para enfrentar os próximos meses. Já na Economia, temos um liberal lunático, Álvaro Santos Pereira. Mas a maior apreensão está na pasta da Saúde: a escolha de Miguel Macedo, um gestor, que já chefiou a Medis e que vai olhar para a Saúde sempre a pensar na folha de Excel que terá ao lado, esta escolha é, portanto, um perigo para a defesa de um dos pilares mais fundamentais da nossa democracia. Teme-se o pior. No entanto, foi das escolhas que mais agradou ao eleitorado que votou Passos Coelho e Paulo Portas.

Falta falar de Nuno Crato, para mim a escolha mais acertada de Passos Coelho. É alguém que sabe ao que vai, que te o diagnóstico feito e medidas a propor. E por muito que as suas soluções não sejam, do meu ponto de vista, as melhores há que dar o benefício da dúvida e esperar que Crato faça um bom trabalho na Educação. Uma nota final para Francisco José Viegas: nem sempre concordo com ele politicamente mas reconheço-lhe muitas virtudes e uma competência extrema. Por isso, penso ser a escolha certa para o cargo de secretário de estado da Cultura.

Em jeito de conclusão: este é um governo jovem, curto - 11 ministros - em que muitos ministros estão responsáveis por várias áreas. Este facto faz com que a escolha dos secretários de estado seja fundamental para se perceber que rumo terão certas áreas como a Ciência e a Tecnologia, a Modernização Administrativa, do Ordenamento do Território ou das Obras Públicas.

junho 16, 2011

O 10 de Junho

As comemorações do último 10 de Junho ficam inevitavelmente ligadas aos discursos de Cavaco Silva e António Barreto.

Começando por este último, tornou-se insuportável a arrogância intelectual com que Barreto nos brinda constantemente. Não sei se será influência de Filomena Mónica, se a vaidade por ter feito uns documentários interessantes, se o cargo que ocupa no Pingo Doce. O que é facto é que de há uns tempos para cá este sociólogo tem oferecido ao país várias missas, todas elas com o mesmo tom: eu sou óptimo, o país está de rastos, eu tenho a solução, ouvi e calai que não há remédio. O problema é que os media adoptaram Barreto como o grande senador da coisa pública e, quase todos os meses, levamos com uma entrevista-diagnóstico de Barreto. Desta vez, trouxe-nos o tema da revisão constitucional e a necessidade de modernização do texto.

Quanto a Cavaco, passa-se uma coisa semelhante: já não há pachorra para ouvir a criatura falar da agricultura, do mar e da necessidade dos jovens investirem no campo e para olharem para os sacrifícios do interior como um exemplo de superação. Desta vez transformou as suas preocupações em discurso oficial mas é preciso não ter nenhuma vergonha na cara para Cavaco afirmar o que diz. É preciso relembrar que ele foi 1º ministro, com maioria absoluta durante 10 anos, no tempo em que se reformou por completo a agricultura e as pescas portuguesas? Que os resultados de hoje se devem às suas políticas? Esta amnésia colectiva sobre as responsabilidades dos políticos que mais responsabilidades têm no estado a que isto chegou - Cavaco e Soares, à cabeça - chega a ser deprimente. Ou será que Cavaco enquanto presidente da República não tem nenhuma responsabilidade na crise económica e financeira do país? Pois, só lá está desde 2006.

Um país que tem em Cavaco e Barreto as suas duas maiores figuras para discursar num 10 de Junho mergulhado numa crise social, económica e financeira só pode temer.

junho 12, 2011

O erro do Bloco

Depois dos resultados eleitorais, tem havido um debate muito acalorado sobre o péssimo resultado do Bloco. Dirigentes, apoiantes e simpatizantes tentam encontrar explicações para a derrocada e vários aspectos têm sido apontados, desde o apoio a Manuel Alegre até à moção de censura, passando pelo voto útil e pela não reunião com a troika.

Olhando para a actuação do Bloco nos últimos meses, não é difícil dizer que raramente os seus dirigentes tenham acertado uma iniciativa política. Falta é perceber por que razão Louçã e companhia seguiram este rumo. Pela minha parte, que votei neste partido nas duas últimas eleições, a explicação é simples: o Bloco não conhece o seu eleitorado.

Se o Bloco é um conjunto heterogéneo de correntes de esquerda, o eleitorado do Bloco é tudo menos homogéneo. Engane-se quem pensa que em 2009 o Bloco teve 10% de votos de esquerda ou, quanto muito, de centro-esquerda. Os eleitores do Bloco correspondem bem ao eleitorado português: pouco enraizado e volátil, quer inter-blocos quer intra-blocos. Ou seja, o crescimento do Bloco, com vitórias do PS, deram-se também à custa de muitos votos de um eleitorado urbano algo liberal - para não dizer de direita - que se revia nalgumas bandeiras do Bloco e, porque não, no poder de confronto de Francisco Louçã.

O erro do Bloco, portanto, foi não perceber quem é que andava a votar em si - iludindo-se na existência de tantos esquerdistas - e, por isso, não corresponder a sua acção política com o que pretendiam muitos dos seus eleitores: um partido de confronto político mas capaz de assumir as suas responsabilidades com a finalidade de implementar grandes bandeiras do seu programa.

Mesmo assim, eu votei Bloco. Porque acredito que o discurso deste partido é realista e é o que apresenta as melhores soluções para o país. Noutro contexto, poderia ter castigado o partido em que votei e que me defraudou bastante as expectativas. Foi o que fizeram muitos dos seus eleitores. O voto útil, que também o houve, está um pouco sobrevalorizado.

Duas semanas após as legislativas de 2009 houve eleições autárquicas. Os resultados do Bloco foram mais que desastrosos, demonstrando bem a volatilidade do seu eleitorado e de que forma é que não o tinha seguro, castigando-o por péssimas estratégias autárquicas. Foi nessa altura que afirmei aqui que a saída de Louçã poderia ser um bom sinal para muito do eleitorado que votou no Bloco, demonstrando uma rotatividade e um saudável debate interno dentro do partido. Ficando preso a Louçã e ao seu núcleo duro na estratégia do simples protesto, o eleitorado depressa percebeu que talvez o Bloco não fosse capaz de representar uma esquerda responsável, longe do PCP e uma solução ao PS.

Um partido que apenas conhece os seus militantes, ainda por cima poucos, e que não percebe quem é que anda a votar em si não pode ter bons resultados.

junho 05, 2011

Noite eleitoral - o que está em jogo

Para além das questões normais numa noite eleitoral, há algumas coisas que terão muito interesse em apurar. A saber:

1- Quem é o vencedor da noite, Passos Coelho, Sócrates ou Paulo Portas.

2- Se as sondagens das últimas semanas correspondem, na generalidade, aos resultados eleitorais: se o Bloco perderá metade do grupo parlamentar (em Coimbra, em Leiria, em Santarém e Aveiro perderá os seus únicos deputados em cada círculo?) e se o CDS aumenta consideravelmente o número de deputados - porque melhorar a votação poderá não ser suficiente.

3- Haverá algum círculo eleitoral que o PS ganhe?

4- Qual é o número da abstenção: 40,36% em 2009. Aumentará a participação eleitoral nestas eleições muito importantes?

5- Será que a tendência de aumento de votos brancos e nulos tem continuidade hoje. 3% em 2009 mas nas presidenciais em Janeiro superaram os 6%.

6- Será que algum pequeno partido supera a barreira dos 50mil votos, de forma a ter subvenção estatal? Recordo que em 2009 Garcia Pereira e o seu PCTP-MRPP foi o único a ter direito a tal "prémio".


junho 03, 2011

Declaração de voto

Domingo o voto reveste-se da maior importância porque nas urnas os portugueses julgarão quem nos trouxe até aqui e escolherão que modelo querem para o futuro do país. E perante isto, eu não tenho dúvidas em castigar o modelo de governação política que nos acompanha há 30 anos e escolher um caminho diferente para o futuro.


E desengane-se quem pensa que uma simples mudança de cara na chefia do executivo alterará o nosso futuro. Quer o PSD, super encostado à direita e com um programa radical sem um pingo de preocupação com a crise social que atravessamos, quer o CDS, com um líder que é um camaleão político, sem qualquer ideia e ideologia, e que quando se encontrar no poder será um perigo tal é a gelatina de que é feito, estes dois partidos, portanto, não alterarão nada ao rumo que temos vindo a trilhar no que respeita à subserviência económica perante os grandes interesses empresariais e perante a União Europeia.


Sim, foi esta subserviência que o PS praticou nestes últimos 16 anos. Apesar de algumas bandeiras importantes e de terem contribuído para um progresso nalgumas áreas – modernização administrativa, ciência e tecnologia, as chamadas “causas fracturantes” – e mesmo tendo alguma consideração por valores de esquerda na defesa (e nem tanto no desenvolvimento) de princípios básicos como a Educação, a Saúde ou a Segurança Social, a verdade é que vivemos uma crise social gravíssima com a qual o último governo pouco se preocupou. E o actual 1º ministro, novamente candidato ao cargo, é um político pouco digno – mentiras, não cumprimento de promessas, por exemplo - e que tem demonstrado pouca capacidade para atacar os problemas do país, apesar do mérito da persistência e da mestria comunicacional. Sócrates é um homem que vive consoante o momento e o que nós nestes tempos não precisamos é de um governante que é Keynesiano às segundas, quartas e sextas e liberal às terças, quintas e sábados. E escusam de pôr as culpas na crise internacional. Sim, a crise desencadeou tudo mas as respostas à crise que o PS pretende dar são impostas por quem provocou a crise. E isso é inaceitável.


Perante um cenário em que o partido de centro-esquerda se encontra na fase mais à direita da sua história, o meu voto, um voto de um eleitor convictamente de esquerda, nunca poderia ir para um PS moribundo, sem debate, sem personalidades fortes e que defendam a esquerda. Sobram, portanto, duas alternativas.


Uma delas, o PCP, nunca terá o meu voto enquanto estiver coligado com esse embuste chamado Partido Ecologista os Verdes, que ninguém sabe o que é, o que defende e o que pretende para o país. Aliado a este facto, o Partido Comunista é uma associação fechada sobre si e com poucas personalidades capazes de liderarem um projecto nacional.


Por exclusão de partes, o meu voto será no Bloco. Mas não pensem que voto Bloco como um mal menor. Voto no Bloco por convicção. Este partido teve a minha confiança em 2009 e defraudou-me um pouco as expectativas devido à sua acção no Parlamento. Pensava eu que Louçã e companhia estavam preparados para assumirem maior responsabilidade no que toca decisões políticas. Principalmente porque não tiveram a força eleitoral para, juntamente com o PS, aprovar leis no Parlamento, o Bloco não quis tomar as rédeas da responsabilidade e, tacticamente, resguardou-se na oposição pura e dura. No meu entender sofrerá com isso nas urnas no domingo. Porém, será isto suficiente para não depositar a minha confiança no Bloco?


Julgo que não. Principalmente pelo discurso e pelo programa, o Bloco de Esquerda terá o meu voto porque é o único partido que defende os valores da esquerda, da justiça social, do emprego, da igualdade e não pactua com a subserviência mencionada acima. E, talvez a maior razão, ao votar o Bloco não terei surpresas consoante a época política do momento. Revejo-me no programa, nos seus valores, nas suas propostas.


Domingo votarei Bloco. Votarei à esquerda. Votarei contra o FMI, contra a União Europeia, contra o caminho que nos querem impor e que nos guiará a mais recessão e a mais desemprego.

maio 31, 2011

O PS

Após seis anos de governação socrática, o PS é um partido moribundo, sem rumo, sem ideias, refém da perseverança e teimosia do líder que secou tudo à sua volta. Após seis anos de governação socrática, o país está pior. Bem podem remeter a culpa da crise para o exterior. E em grande parte é bem verdade. Mas não se pode esquecer que este é o PS mais à direita de sempre e que, tão depressa se julga Keynesiano (2009) como a seguir está a aplicar as medidas do FMI (início de 2010).

Que Sócrates seja um génio comunicacional, não há dúvidas. O seu discurso ao longo dos últimos dois meses é uma inversão inteligente das coisas: a culpa da crise política é do PSD, a culpa da crise económica é do exterior, e nós somos os homens da esquerda moderada que vai salvar o país com o seu plano de crescimento de apoio ao Estado Social. Mas Sócrates esteve na oposição ou no governo? O que é facto é que com este discurso – e com ajuda da CDU e do Bloco – conseguiu criar a imagem do PSD como os neoliberais perigosos e reaccionários (que o são) na perfeição, deixando livre para si o espaço para defender os pilares do Estado Social. quando o andou a destruir nos últimos seis anos.

Após seis anos de governação socrática, são poucas as bandeiras do governo: energias renováveis, modernização administrativa, algumas medidas na educação (com os seus problemas, mesmo assim), os direitos das minorias e pouco mais. Na área da Justiça, zero. No Ambiente, nem se conhecem os ministros. No ensino superior, um péssimo Mariano Gago, enfim, uma colecção de ministros inúteis.

O pós-5 de Junho no PS é uma incógnita. Uma derrota por poucos não é suficiente para a saída de Sócrates ser inevitável. E mesmo que o secretário-geral do PS esteja disposto a sair, o PS enfrentará uma longa travessia no deserto à procura de um líder forte. Até porque não tardarão novas eleições legislativas – até 2013, parece inevitável sem uma maioria absoluta do PSD. O problema é que o PS está morto e mal entregue, a incompetência reina por esse país fora nas estruturas socialistas e será uma transição muito dura. E a culpa disto tudo não é nem da crise, nem dos especuladores, nem da chumbo do PEC.

O PSD

Passos Coelho vai ganhar as eleições. Porém, será uma vitória curta para quem, há pouco menos de um ano, tinha todas as condições para conquistar uma maioria absoluta. O que deitou tudo a perder? Impreparação, contradições entre os seus dirigentes, prestações pouco esclarecedoras nos debates e, acima de tudo, tiros no pé como Fernando Nobre, o tema do aborto ou as contradições entre o discurso do líder e o programa eleitoral.

Passos Coelho ganhará, vai aliar-se com o Paulo Portas e, caso continue a demonstrar a sua tremenda falta de jeito para liderar um partido, a sua liderança do governo será curta. Em primeiro lugar, porque terá que comandar uma coligação e nunca é fácil gerir uma situação destas. Depois, o seu partido não estará unido porque queria uma vitória esmagadora. Por último, os tempos de crise económica e social não darão descanso a Passos Coelho e à sua agenda liberal.

O PSD teve um ano para se preparar para ser governo. Derrubou o executivo de Sócrates quando quis e nem assim vai conseguir uma grande votação – entenda-se, maioria absoluta. É uma vitória mas veremos por quanto tempo.

maio 30, 2011

Contador

O que Alberto Contador fez no Giro deste ano não tem adjectivos. Monstruoso é pouco para classificar as três semanas do espanhol por terras italianas. Foi um Giro duríssimo, com muita montanha, muitas etapas com mais de 200km. Contador não deu hipóteses à concorrência que contava com ciclistas de grande nível: Scarponi, Menchov, Nibali ou Anton. O facto de não estarem os irmãos Schleck não tira mérito à vitória do espanhol.

Falta agora saber se Contador estará presente no Tour e, caso esteja, se conseguirá mostrar-se na forma actual de forma a juntar, no mesmo ano, as duas grandes provas. E ainda há a Vuelta em Setembro, já que nunca nenhum ciclista ganhou as três grandes voltas num só ano.


maio 29, 2011

O Bloco


A crer nas sondagens, o Bloco terá uma queda brutal no número de votos e no número de deputados. O que se afigura muito estranho já que se vivem tempos propícios ao aumento da força eleitoral da esquerda: crise económica, crise social, PS mais à direita da sua história, crise da identidade europeia. Mas então porque razão o Bloco não cresce e não aparece nas sondagens com valores idênticos ou superiores ao CDS-PP, por exemplo?

À primeira vista, parece prevalecer o voto útil no PS, apesar do enorme desgaste de Sócrates. E é o próprio PS que tem tentado, ao máximo, passar a mensagem de que a direita é o bicho papão e que se chegarem ao poder será o fim do Estado Social, etc, etc. A estratégia de Sócrates é boa e tem tido resultados. Porém, o Bloco alinha no mesmo diapasão e faz tantas ou mais críticas a Passos Coelho e a Paulo Portas do que os ataques políticos que disfere a Sócrates.

Nesse sentido, na perspectiva do eleitor de centro-esquerda, mesmo que esteja cansado do actual executivo, encontra eco das palavras do PS no discurso do Bloco (e da CDU), apontando a direita como o grande inimigo. Se o voto útil já era fomentado pelo PS, o Bloco de Esquerda, em vez de se concentrar unicamente no ataque ao governo que tem feito coisas terríveis ao Estado Social, muitas vezes desvia as atenções para a direita.

E, a somar a isto, juntam-se alguns actos políticos falhados do Bloco que, na perspectiva do eleitor de centro-esquerda, não são vistos positivamente: presidenciais, moção de censura ou não reunião com a troika.

O insucesso do Bloco, a dar-se, ficará a dever-se única e exclusivamente à estratégia do partido nos últimos seis meses. E terá que haver uma reflexão profunda dentro do partido pois este seria um tempo de oportunidade para um grande resultado eleitoral.

maio 25, 2011

F.C. Perfeito

Há oito anos atrás, pensava eu que tinha vivido a melhor época de sempre enquanto adepto do FCPorto. Era a primeira final europeia que assistia - e logo com vitória - e era sobretudo um percurso futebolístico de grande qualidade. Porém, oito anos depois tenho que rever os meus conceitos de perfeição no futebol.

Uma época perfeita é isto:

- ganhar a Supertaça contra o maior rival sem contestação e quando todos atribuíam o favoritismo ao Benfica;

- brindar o adversário directo com 5-0 em casa, numa exibição memorável;

- ser campeão no Estádio da Luz com uma vitória e, para melhorar o cenário, os funcionários do clube rival, cheios de azia, ligarem a rega e desligarem a luz;

- eliminar na meia-final da Taça de Portugal o maior rival numa eliminatória com dois jogos, depois de perder o primeiro em casa por 0-2 e depois ir a Lisboa, noutra grande exibição, ganhar por 3-1.

- chegar à final da Liga Europa com várias goleadas à mistura, eliminando adversários muito fortes como o Sevilla, o CSKA de Moscovo ou o Villareal;

- acabar o campeonato sem derrotas - apenas 3 empates - e com a maior distância pontual de sempre.

- vencer a Liga Europa contra o Braga, com um golo de Falcao, o melhor marcador de sempre numa competição da UEFA numa temporada;

- vencer a Taça de Portugal por uns esclarecedores 6-2 frente ao Guimarães.

Superar isto será dificílimo. Quem sabe se daqui a oito anos estou aqui a reescrever a perfeição.

Obrigado, Villas-Boas.

Paulo Portas e os partidos da esquerda




Um dos erros mais evidentes que os dois partidos de esquerda estão a cometer nesta campanha eleitoral é incluir Paulo Portas e o CDS no lote dos inimigos. Bem sei que Portas assinou o acordo da troika, bem sei que até já foi ministro - por pouco tempo - e com péssimos resultados, e também sei que o CDS, de vez em quando, foi aprovando Orçamentos junto com o centrão.



Porém, diabolizar o CDS-PP, incluíndo-o no bloco central de interesses que tem governado este país revela, para o eleitor comum, uma atitude muito pouco louvável por parte de Bloco e PCP: apenas dá a impressão que estes dois partidos são mesmo contra tudo e todos.



A crítica feroz ao PS e ao PSD compreende-se perfeitamente. E até se compreende que Louçã, por exemplo, tenha atacado Paulo Portas no debate que teve com o líder do CDS. Estava à sua frente, só tinha que o fazer. Mas insistir em todo o lado - cartazes, tempos de antena, discursos, pequenas intervenções na TV - na inclusão do CDS como responsável pela situação a que chegámos é ir demasiado longe. O eleitorado fiel do Bloco e da CDU percebem a mensagem. O problema são os restantes eleitores indecisos.


maio 23, 2011

Sondagens

Para quando a proibição da divulgação de sondagens em período de campanha eleitoral?

maio 17, 2011

Os debates

Pouco têm acrescentado os debates das legislativas de 2011. Vamos a meio e nada de extraordinário aconteceu.

Sócrates tem repetido o guião de 2009. Contra Louçã e Jerónimo bastou ler os programas dos respectivos partidos e encostá-los ao extremo para que, aos olhos da maior parte do eleitorado, PCP e Bloco soassem como irrealistas e irresponsáveis. Os líderes da esquerda, mais uma vez, não souberam dar a volta ao texto e perderam nos seus debates a oportunidade de "bater" Sócrates. Este, contra Paulo Portas, teve o melhor momento dos debates até agora ao mostrar uma pasta vazia simbolizando o programa do CDS-PP. Portas ficou embaraçado e, na tentativa de ganhar pontos ao primeiro-ministro, teve demasiado postura de Estado. Sócrates tem tudo ensaiado para o debate final.

Já Passos Coelho, frente a Portas e Jerónimo, revelou uma fragilidade enorme. Então frente ao líder do CDS deixou que o adversário parecesse o líder da oposição. O presidente do PSD tem agora dois debates para entrar na campanha eleitoral em forma e por cima. O problema é que Louçã e Sócrates têm muita rodagem neste tipo de debates e Passos Coelho, a cada dia que passa, revela muita inexperiência.


maio 13, 2011

Catroga


Depois de Miguel Relvas, o PSD apostou em Catroga para papagaio. E se Miguel Relvas se tornou insuportável rapidamente - mas apenas por azelhice - o velho Catroga está a arruinar Passos Coelho e o partido.

E não me refiro apenas ao caso dos "pentelhos" - uma gaffe irracional mas sem grande importância. O problema é a constante permanência de Catroga nos meios de comunicação social, levando a disparates atrás de disparates. O mais grave foi a comparação entre Sócrates e Hitler, mostrando todo o ódio que bruta nas mentes dos homens do PSD. E depois há as constantes contradições económicas entre o discurso do líder e as declarações de Catroga.

O antigo ministro das finanças queixava-se ontem a Judite de Sousa que era difícil lutar contra a máquina de propaganda de Sócrates e do PS. O problema é que Catroga já deu, nos últimos cinco dias, mais de uma dezena de entrevistas e está, literalmente, em todo o lado. O que quer mais este dinossauro?